shinoda

De Masahiro Shinoda: Assassinato. Momento emblemático da Nouvelle Vague Japonesa. 1964. Direto dos estúdios da Shochiku, a apropriação extremamente pessoal da tradição, o filme de samurai. Talvez um segundo momento daquela ruptura do cinema japonês, não mais os temas jovens, mas um olhar moderno direcionado à tradição. O que muitos chamam de pós-moderno.

Assassinato é um primor estético, a escuridão entrega uma atmosfera noir para um filme que encaminha, via estilhaços narrativos, o encontro fatal entre dois homens. Não dá pra esquecer da obra-prima Matar ou Morrer, de Fred Zinnemann. Trata-se de um filme importantíssimo, de grande ruptura. Deus e o Diabo na Terra do Sol é outra obra moderna que bebeu nessa fonte.

Pois assim como no western de Zinnemann, o que interessa em Assassinato não é o desfecho, mas tudo que leva a ele. Há cenas fortíssimas como a decapitação ou aquela em que um dos homens pede para um amigo matar o oponente passando a espada por dentro de seu corpo. Um sopro de violência.  E na cena final, o toque de mestre: a câmera subjetiva, tremendo sem parar, dá a dimensão exata do medo que o protagonista sente ao encarar o rival. Quando um grande cineasta sabe o que faz, a câmera tremida – o que muitas vezes é puro enfeite – torna-se recurso narrativo.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s