top 10 the beach boys pós-pet sounds

Agora complica: top 10 dos Beach Boys da fase pós-Pet Sounds. A lista de canções perfeitas é imensa, foram dez anos, entre 1967 e 1977, de diversas obras-primas. Brian Wilson teve o colapso durante as gravações de Smile, em 67, mas nunca parou de produzir. Ao mesmo tempo, nesse período houve uma contribuição mais intensa dos outros integrantes da banda. Para o top 10, deixei de fora as canções que sobraram do Smile, pois Cool Cool Water, Good Vibrations, Our Prayer, Surf’s Up, Cabinessence e Wonderful são covardia, a lista acabaria concentrada apenas no que saiu desse disco. Começo a contar a partir do sensacional Wild Honey, a incursão soul dos Beach Boys de 1967.

10 – Wake The World – Friends (1968)

Costuma-se celebrar outras canções de Friends – o disco mais gostoso de ouvir dos Beach Boys – , mas Wake The World é mágica. É uma canção simples sobre o nascer do dia, das estrelas que começam a desaparecer até o brilho forte da manhã. Em menos de dois minutos a banda consegue imprimir essa sensação, meio preguiçosa, de começo do dia. É extremamente cinematográfica.

09 – Leaving This Town – Holland (1973)

É uma balada matadora de um disco cheio de baladas matadoras. Holland é pouco cotado, talvez por não ter a aura de Brian Wilson, mas tem grandes momentos. Nele, a banda conseguiu equilibrar a referência soul com as melodias mais características. É melhor que o anterior, Carl & The Passions, que também contava com a presença de Blondie Chaplin e Rick Fataar. Em Leaving This Town, é Chaplin quem solta a voz.

08 – Be Still – Friends (1968)

De baterista limitado a compositor cheio de alma, Dennis Wilson foi aquele que mais ganhou com a “democracia” nas gravações. Após 1968, suas canções passaram a ter bastante destaque nos discos dos Beach Boys. Forever, do Sunflower, é a favorita de quase todo mundo, mas Be Still tem uma melancolia tão suave, transborda tanta emoção, que seria impossível não aparecer aqui.

07 – Our Sweet Love – Sunflower (1970)

Não foi apenas Dennis que se deu bem. Durante esse período, Carl Wilson também saiu da asa do Wilson mais genial. Até porque sua voz sempre foi a mais bonita. Não à toa coube a ele gravar God Only Knows. Our Sweet Love bebe nessa fonte, tem a mesma delicadeza, com aquele piano marcado típico dos Beach Boys. E a voz de Carl entoando “our sweet love, could last forever…” coisa linda.

06 – Darlin’ – Wild Honey (1967)

Wild Honey é um disco importantíssimo. Mostra que a banda não entrou em ressaca após o fracasso do Smile. Por sinal, qual banda consegue sair de tamanha crise – um disco abortado e um gênio surtado – com uma obra desse nível? E melhor, dando uma guinada na sonoridade. Darlin’ é o carro-chefe, um soul-pop sensacional. Carl Wilson rasga a voz no irresistível refrão.

05 – Let’s Put Our Hearts Together – Love You (1977)

Emocionante é pouco sobre esse dueto entre Brian Wilson e a esposa Marilyn. A voz fragilizada de Brian dá o tom de um disco ímpar na trajetória dos Beach Boys. Love You divide opiniões entre os fãs da banda. Eu estou do lado daqueles que o consideram uma obra-prima. E Let’s Put Our Hearts Together é uma de suas mais belas canções.

04 – Aren’t You Glad – Wild Honey (1967)

Deve ser o patinho feio aqui. Aren’t You Glad é pouco falada, mas passa uma energia tão boa. A voz de Mike Love nunca esteve tão serena. Lembro exatamente o momento em que a escutei pela primeira vez, dentro de um carro em Curitiba. Quando isso acontece, é sinal que a canção tem importância pra sua vida.

03 – Sail on Sailor – Holland (1973)

A gravadora ouviu o material bruto do experimental Holland e cravou: isso não vai fazer sucesso! Eis que surgem Brian Wilson e Van Dyke Parks com nada menos que Sail on Sailor, canção cheia de soul, de refrão ganchudo. Ela representa bem esse período mais groovy da banda. É outra que teve grande interpretação de Blondie Chaplin

02 – All I Wanna Do – Sunflower (1970)

Já comentei sobre ela em outro post. Mike Love novamente em momento de absurda felicidade, com uma gravação atípica, cheia de ambientações, reverb lá em cima. Sunflower é um disco que chega próximo da excelência do Pet Sounds, e All I Wanna Do é uma das grandes responsáveis por isso.

01 – ‘Til I Die – Surf’s Up (1971)

Pra fechar com chave de ouro: ‘Til I Die. É Brian Wilson derramando toda sua genialidade, que naquela época estava carregada de melancolia. Difícil imaginar outro compositor capaz de construir uma harmonia como essa, com os finais falsos, as mudanças de tom, o jogo de vozes. Não costumo concordar com aqueles que dizem que o artista precisa da crise para criar. Mas no caso de Brian Wilson, a impressão é que tudo que o atingia acabava se transformando em ouro, das drogas pesadas – que nessa época eram suas grandes amigas – aos problemas mentais. Coisa de gênio mesmo.

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