mais hong sang-soo

Discretamente, Hong Sang-soo constrói uma das obras mais sólidas do cinema contemporâneo. Em Turning Gate, de 2002, ele consegue filmar algo raro: o acaso.

O acaso é bem complicado de se trabalhar no cinema. É muito comum que situações imprevisíveis, mesmo quando bem construídas – convincentes – acabem traídas pelo desenrolar das histórias. Algo acontece, e depois tudo se justifica. O acaso surge como algo necessário para a história se realizar. Como se houvesse uma intervenção divina, ou seja, a de um roteirista (no sentido pejorativo do termo), para que o fio narrativo entre novamente em harmonia.

Turning Gate já é um filme-acaso por excelência. O protagonista segue até o fim sem um roteiro definido, experimentando pessoas e momentos. Mas a cena fundamental é aquela em que ele encontra uma garota no trem. Ali o filme perde o chão. Os dois tateiam um contato, depois começam uma relação amorosa. Sang-soo consegue imprimir no próprio filme a sensação do acaso, da lógica do mundo em polvorosa. Seguindo o affair entre os dois, o desenrolar da história confirma:  aquilo simplesmente não precisava acontecer para que o filme continuasse. É uma rara liberdade narrativa, de um filme que parece seguir o curso natural da vida, imprevisível.

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