otis redding – discografia

Para finalizar o mês dedicado aos mágicos, comento aqui a discografia do maior de todos. O que realmente me encanta na música de Otis Redding é que há ali – ao contrário de outros nomes da música negra – uma magia extremamente humana. Não se trata daquela voz que você não consegue imaginar de onde vem, como se a garganta do sujeito fosse revestida de mármore. Otis Redding está no Olimpo daqueles cantores em que é possível ouvir a garganta rasgando, a respiração ofegante, a voz falhar, daqueles que enchem a alma de corpo. Tamanha intensidade acabou rendendo o inevitável: pra muita gente Otis é sinônimo de soul music. Não tenho como discordar, sua meteórica carreira já fala por si. Comento aqui apenas os discos lançados em vida por Otis. Sobre os álbuns póstumos e os anos seguintes a sua trágica morte em 1967, pretendo escrever mais para frente.

Pain in My Heart (1964) 

Jim Stewart, o lendário chefão da Stax, sempre comentou que não viu muita graça nas primeiras gravações do novato Otis, calcadas no rock ‘n’ roll. Tudo que ele não queria era um novo Little Richard. Foi quando Otis tirou da cartola a balada magistral These Arms of Mine. Stewart logo percebeu que havia algo grande e diferente ali. Realmente, o primeiro disco de Otis acerta o pulo nas baladas arrasa-quarteirão. Na queda de braço, Sam Cooke bateu Little Richard (em praticamente todos os discos seguintes há a presença de Cooke). É emocionante ouvir um novato Otis rasgando a voz como nunca mais fez em That’s What My Heart Needs.

Top: These Arms of Mine, Pain in My Heart e That’s What My Heart Needs.

The Great Otis Redding Sings Soul Ballads (1965)

Num disco repleto de baladas inspiradas – como já adianta o nome – quem chama os holofotes é a sensacional Mr. Pitful, soul bem marcado que acabou se tornando uma referência sonora da Stax (o riff de sopros, por exemplo, foi extremamente replicado). A música também revela outro ponto importante: a parceria entre Otis Redding e o guitarrista do Booker T. & The M.G.’s Steve Cropper. Um disco que está um passo além do seu antecessor por ter um equilíbrio maior entre o repertório mais lento e o mais agitado.

Top: Mr. Pitful, That’s How Strong My Love Is e Your One and Only One

Otis Blue (1965)

O texto na contracapa diz: “Soul não é algo que pode ser imaginado; ou você tem, ou não tem. Otis Redding tem”. Apesar da intenção publicitária, a frase é extremamente verdadeira. E Otis Blue cai bem como a grande obra soul de todos os tempos. Marca um ápice criativo, nas composições, e visceral, nas interpretações. Também é o disco mais bem gravado de sua carreira. Tenho a impressão de o Booker T. & The M.G’s estar tocando do meu lado. E Al Jackson, Jr. mostra o porquê (o que é a bateria em Shake?!) de ter sido considerado por muita gente o melhor baterista de todos os tempos.

Top: impossível.

The Soul Album (1966)

Outro disco sublime. Não é tão comentado quanto Otis Blue por não ter tantos sucessos, mas tudo aqui é extremamente bonito. Tem uma leveza de interpretação e arranjos que nenhum outro disco de Otis tem. Dessa vez, quem brilha ao lado de Otis é o guitarrista Steve Cropper e seus dedilhados precisos em sua Fender Telecaster.

Top: Good To Me, It’s Growing e Cigarrettes and Coffees.

Complete & Unbelievable: Otis Redding Dictionary of Soul (1966)

É um clássico de Otis, mas considero um pouco abaixo dos dois discos anteriores. Tudo bem, a presença de Try a Little Tenderness já garante as estrelas. Depois que Otis a cantou, é como se todas as outras versões (algumas ótimas por sinal) fossem varridas do mapa. A música é de Otis. Outro furto memorável foi Day Tripper, retirada de Abbey Road diretamente para os calorosos estúdios de Memphis. Assim como Satisfaction no ano anterior, o hit britânico ficou com a cara da Stax.

Top: Day Tripper, Try a Little Tenderness e My Lover’s Prayer

King & Queen (1967)

Discos de duetos entre cantores e cantoras foram algo recorrente dentro do universo soul. Otis Redding e Carla Thomas não decepcionam o Sul negro e fazem do disco um momento histórico da Stax. Com repertório cheio de standards da música black, passando por Sam Cooke, Atlantic e Motown, King & Queen garante qualquer bom momento. E não tem como não se emocionar ao ouvir New Year’s Resolution.

Top: New Year’s Resolution, Let Me Be Good To You e Tramp

Live in Europe (1967)

Se a performance aqui não é tão impressionante quanto a no Monterey Pop Festival, realizado no mesmo ano, Live in Europe é um ótimo registro de uma combinação fatal. Otis Redding + Booker T. & The M.G.’s em cima de um palco era covardia. Ao lado do êxito em Monterey, a tour da Stax pela Europa que rendeu esse disco foi a grande catapulta para o estrondoso sucesso mundial de Otis naquele ano. Basta ouvir para saber o motivo.

Top: Shake, Fa-Fa-Fa-Fa-Fa (Sad Song) e Try a Little Tenderness

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