um mágico a mais

Janeiro é o mês dos mágicos aqui. Agora um apressado que foi embora junto com Otis Redding em 1967: Carl Cunningham. E foi ao lado do gênio do soul que o baterista deixou seus melhores momentos em shows e gravações para a televisão. Em disco há Soul Finger, ótimo primeiro registro dos Bar-Kays – a banda de Cunningham que passou a acompanhar Otis a partir de 1966. Mas impressionante mesmo é a participação do baterista numa edição do Ready Steady Go com os súditos Eric Burdon e Chris Farlowe e o Rei Otis Redding. Cunningham era claramente um discípulo de Al Jackson Jr., do Booker T. & The M.G.’s, o baterista mais preciso da soul music. Seu estilo, no entanto, além de reunir a classe de Jackson, passeava pelo imprevisível. As características viradas secas de caixa que antecipam os refrões ganham uma agressividade ímpar, o bumbo também bate absurdamente forte na marcação do tempo. Basta ouvir a sensacional versão de Hold On I’m Coming entoada por Burdon ou ainda o medley com Can’t Turn You Loose, Shake e Land of 1000 Dances, quando a bateria toma a dianteira, acelera o andamento e arremessa todo mundo pra frente.

Infelizmente Carl Cunningham não teve tempo para aprimorar ainda mais o seu estilo – morreu no mesmo avião teimoso de Otis Redding em dezembro de 1967. Mesmo tendo poucos registros, dá pra colocá-lo como concorrente forte a grande baterista de todos os tempos.

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