top 10 cinema 2009

10 – A Troca (Clint Eastwood)

Sofre do mesmo problema de Milk, de Gus Van Sant, quando abandona a tensão da narrativa para seguir contando os fatos de uma história verídica. Apesar disso, tem seus grandes momentos. É um filme que consegue dançar bem entre o drama e o policial.

09 – A Erva do Rato (Julio Bressane)

Inferior ao Cleópatra, A Erva do Rato se dá muito bem no descompromisso de alguns momentos. A impressão é que Bressane estava se divertindo muito durante o filme. Também reforça o talento do cineasta para trabalhar histórias com a cumplicidade entre duas pessoas.

08 – Avatar (James Cameron)

Hoje é um filme quatro estrelas. Em dez anos, dificilmente será. O espetáculo em 3D é fascinante, isso é indiscutível, mas é provável que o filme se torne uma mera curiosidade, um exercício das novas tecnologias de um determinado momento do cinema. A invenção visual sublime acaba perdendo o fôlego por causa de um roteiro que repete temas já esgotados (há muito tempo) no cinema de ficção-científica.

07 – Deixa Ela Entrar (Thomas Alfredson)

Aqui, pelo contrário, um filme que cresce com as revisões. Tenho uma profunda admiração pelas obras que, nesses tempos de choque a quem puder, caminham pela sutileza. O desfecho na piscina é uma cena para se guardar com carinho.

06 – Entre os Muros da Escola (Laurent Cantent)

Também me deliciam filmes bem resolvidos em pequenos espaços. A sala de aula é praticamente o único cenário. E aí a montagem toma a dianteira. Ela é o muro, na primeira hora raramente vemos o professor da escola no mesmo plano dos alunos. Temos aqui um belo exemplo do uso da montagem como recurso narrativo.

05 – Inimigos Públicos (Michael Mann)

Outra vez a montagem dá o tom. Maravilhosa a diferença entre os momentos do Dillinger bandido e do Dillinger amante. No crime, a câmera é agressiva, a montagem acelerada; no amor, tudo é mais leve, harmonioso. Bom quando um filme – e não apenas seu protagonista – também parece sentir.

04 – Moscou (Eduardo Coutinho)

Mais um filme de poesia que um documentário. Ao contrário de Jogo de Cena, um filme de tese, conceitual, aqui temos um vôo livre. de Tchekov a Antonio Marcos, primoroso.

03 – Amantes (James Gray) 

Amantes mostra que, muitas vezes, amor é essa necessidade louca de turbulências. Duas marcantes cenas no terraço, completamente diferentes, para colocar James Gray como um dos grandes cineastas da atualidade.

02 – Bastardos Inglórios (Quentin Tarantino) 

Mais uma vez chupando de tudo (de Robert Aldrich a Russ Meyer), Tarantino manda a verossimilhança para o inferno ao colocar todo o alto escalão nazista dentro de um pequeno cinema em Paris. Provavelmente a mais inteligente homenagem ao cinema do diretor, colocando-o como figura central do filme.

01 – Gran Torino (Clint Eastwood)

O melhor filme do ano. Engraçado e melancólico, sutil e surpreendente. Ótimo ter um filme desses num ano em que a ficção rasa como pretexto para tratados sociológicos (Distrito 9) é saudada por muita gente como obra-prima. Aqui temos um exemplo perfeito de filme que pode ser visto com olhos de caça e de caçador. Se o espectador quiser tirar uma lição sobre certas particularidades dos Estados Unidos, pode; se quiser “apenas” assistir um filmaço sobre intolerância e amizade, também pode. Pelos dois olhares é uma tremenda obra-prima.

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