ainda pela montagem

É a montagem que sustenta o ótimo Entre os Muros da Escola, de Laurent Cantet. Não só na questão rítmica, algo fundamental para um filme cujo desenvolvimento é quase todo dentro de uma sala de aula, mas também na criação de subtextos. A montagem é o muro. Principalmente na primeira meia hora do filme, quando raramente vemos o professor dentro do mesmo plano dos alunos. Há sempre esse poderoso corte entre as crianças e o mestre.

O Homem de MármoreUma cena marcante com intenções parecidas aparece em O Homem de Mármore (1977), meu favorito de Andrzej Wajda. É o momento em que o protagonista reencontra a ex-mulher. Eles estão num ambiente pequeno, muito menor que a sala de aula de Cantet, mas nunca dividem o mesmo quadro. É uma conversa tensa, amarga – a iluminação escura reforça isso –, de duas pessoas que não estão mais próximas. E a montagem explode essa ruptura. O corte excessivo no pequeno espaço chega a incomodar os olhos.

Glauber Rocha dizia que a montagem era a bateria de um filme. Fico com a definição de Godard: “é o bater do coração”. Há o ritmo, é claro, mas no cinema há sangue correndo também.

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