bastardos inglórios

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O grande trunfo de Bastardos Inglórios é o chute na bunda da verossimilhança. Mais que um belo desrespeito aos fatos históricos, o novo filme de Quentin Tarantino promove um festival de ausência de lógica. Em que planeta todo o alto escalão nazista se meteria dentro de um pequeno cinema em Paris? Tarantino não precisa de nenhuma justificativa para criar o cenário perfeito para um romântico e violento final da Segunda Guerra Mundial.

Num tempo em que o “baseado em fatos reais” parece ser obrigatório, Bastardos Inglórios aparece como um ode à invenção. Um filme que faz jus ao que Hitchcock dizia: “Pedir a um homem que conta histórias para ter em mente a verossimilhança me parece tão ridículo como pedir a um pintor figurativo para representar as coisas com exatidão”. Tarantino queria trucidar figuras míticas do nazismo num momento apoteótico. Para isso, nada melhor que a imaginação.

Afinal, se trata de cinema. Tarantino, que sabe muito bem disso, o colocou como protagonista do filme. Dessa vez não é o caso da metalinguagem, recurso mais do que desgastado. O cinema está ali como fábrica de sonhos, como mote para a imaginação. Por isso mesmo, Tarantino demonstra um certo respeito na recriação paródica de Joseph Goebbels um sujeito que tinha a idéia exata da importância do cinema. O desfecho, por sinal, pode até surgir como um fato simbólico dentro da carreira do cineasta norte-americano. Depois de Bastardos Inglórios, vai ser complicado para ele continuar realizando suas homenagens cinematográficas.

Poderia ser uma obra-prima se Tarantino não tentasse  promover um alongado embate entre tensão e humor em quase todas as sequências grandes de diálogo. Na primeira, nos Alpes franceses, o resultado é maravilhoso. Na segunda, ainda soa legal. Na terceira já não funciona mais, acaba trancando a narrativa. Uma obra como Bastardos Inglórios não precisa que todas as falas sejam geniais.

De qualquer forma, um filme que recorre ao exploitation dos anos 70 das pérolas italianas às obras de Russ Meyer que usavam o nazismo como pano de fundo para acabar dissertando sobre a importância do cinema dentro do contexto da Segunda Guerra Mundial, já merece presença na lista dos melhores do ano.

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