três coisas que adorei em cildo

1. Não há turistas. Uma coisa que detesto em documentários é a presença de uma quantidade enorme de pessoas que nada tem a ver com o assunto, como se o objeto do filme precisasse de “gente relevante” para carimbar a sua importância. Em Cildo, quem faz esse papel é a própria obra de Cildo Meireles.

2. É um filme de cinema. Me encantou profundamente a forma como Gustavo Moura trabalhou a presença das obras de Cildo. Há uma preocupação em construir narrativas, em fazer o encontro da experiência cinematográfica com a experiência proporcionada pelas obras. Num espaço que, teoricamente, foi idealizado para o deslocamento de pessoas, há a incessante movimentação de uma câmera. Da mesma forma, o som, algo bem presente nas obras do artista, é trabalhado de forma criativa. Ao contrário da grande maioria dos documentários que caem de todas as árvores atualmente no Brasil, Cildo é extremamente cinematográfico.

3. E é claro, a presença de Cildo Meireles. Por mais que ele assumidamente não fique  muito à vontade para falar, há uma série de idéias maravilhosas que percorrem o filme. Como a referência do terceiro astronauta que não pisou na lua, a importância do medo, da falta dos pés no chão para aguçar a sensibilidade. No trecho que achei mais bonito, ao lembrar de um amigo preso, Cildo fala sobre a democracia que a arte conceitual representa aos artistas, das infinitas possibilidades de matéria-prima. Democracia que se reflete com a mesma intensidade nas inúmeras formas com que uma pessoa pode se relacionar com essas obras. E que Gustavo Moura conseguiu transpor para a sua experiência cinematográfica.

Cildo

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