a woman under the influence

Tenho uma amiga repentista que adora dizer: “o tempo abriu, vou ouvir Judee Sill; choveu, ouvirei Joni Mitchell”. Essa semana o retorno do sol em Porto Alegre me encheu de vontade de ouvir a compositora mais talentosa da costa oeste norte-americana, mas hoje já voltou a chover. Não faz mal, porque com sol e chuva eu abraço a Judee Sill. Incrível como uma vida tão conturbada, heroína, prostituição, estupro, alcoolismo, prisão, acabou rendendo uma produção musical tão leve e sofisticada. Existe essa idéia equivocada de que os artistas funcionam melhor sob condições mentais duvidosas. Como falou o transcendental David Lynch em suas palestras: Van Gogh era muito mais genial quando estava bem. Penso a mesma coisa quando ouço alguém louvar os problemas mentais de Brian Wilson. Se o gênio dos Beach Boys não vivesse um caos particular, certamente teríamos uma quantidade muito maior de obras-primas. O Smile engavetado por 40 anos confirma isso. Brian Wilson, por sinal, é o cara que eu lembro quando ouço músicas como The Lamb Ran Away With The Crown de Judee Sill. Os segundos finais, com aquele loop característico dos Beach Boys, me dão a bonita esperança de que ela nunca vai acabar.

judee sill

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