joy of a toy

As personagens femininas se multiplicam em Joy of a Toy, o primeiro rebento solo de Kevin Ayers, de 1969. E são agraciadas com uma poesia surrealista e sutil, como uma praça de De Chirico, nas belas imagens da Girl on a Swing embalada por notas de piano e guitarras hipnóticas, um retrato de uma inocente menina brincando no balanço, o movimento do balanço, o movimento sugestivo do corpo de uma garota em transformação. Ou o inusitado bolo que devora uma mulher apenas no título da balada Eleanor’s Cake, ou a Alice que veste o seu vestido mais sexy mas não quer que ninguém a olhe na colagem pop-psicodélica de Song For Insane Times. Também os versos trovadores que amedrontam Rachel no castelo de Lady Rachel ou na moça de The Clarietta Rag que passeia de lambreta durante o dia e de noite se transforma em uma rosa. Joy of a Toy é uma das obras mais sofisticadas e misteriosas da música inglesa. E Kevin Ayers, um dos compositores mais interessantes. Primeiro com o Soft Machine, figura extremamente cool em cima do palco, empunhando seu contrabaixo distorcido de chinelo de palha e rosto completamente maquiado. E seguiu a carreira solo colecionando obras-primas, discos que passeiam entre o folk, a psicodelia, o progressivo, o jazz, tudo com a classe da sua voz barítona. Joy of a Toy é meu favorito, mas toda a obra de Kevin Ayers é obrigatória para quem gosta de sorrir os ouvidos.

joy of a toy

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s