selling england by the foxtrot

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O saudosismo pela fitinha K-7 pode ser explicado. Elas me ensinaram algo importante: ouvir o disco na íntegra, como ele foi concebido, sem pular nenhuma música. A minha pressa adolescente fazia com que eu, ao escutar um disco, ficasse extremamente tentado em pular aquela música que com uns 40 segundos ainda não tinha dito a que veio. E a impossibilidade de ficar correndo a fitinha pra frente e pra trás toda hora fez com que eu aprendesse a valorizar a obra completa. Foi assim que descobri discos favoritos que provavelmente eu não teria dado tanta bola. A volta do colégio nunca mais foi a mesma depois do Their Satanic Majesties Request dos Stones. Era a trilha perfeita para um passeio demorado dentro de um ônibus carioca quente, cheio e suado. Melhor só numa diligência marroquina. E aí aprendi a respeitar as obras, ou melhor, a cabeça que pensou a obra. Por isso mesmo sempre fugi das coletâneas. E sempre li O Jogo da Amarelinha do jeito sugerido. Coletânea é algo extremante sujo, como um filme que reúne as melhores cenas da carreira de um cineasta e então é preciso esquecer que essas melhores cenas, muitas vezes, são ancoradas e até potencializadas por sequências não tão boas. É assim com os discos também. Uma coisa é escutar Revolution#9 sozinha. Outra é escutar entre Cry Baby Cry e Good Night. Aliás, o meu momento favorito dos Beatles é a sequência Revolution#9-Good Night. O inferno e o conto-de-fadas. É de um humor sofisticado e sublime. Mas, voltando às fitinhas e contrariando tudo que falei até agora, com o Genesis eu traí meus princípios. Fiz uma K-7 com a obra-prima da banda segundo eu. O lado A do Selling England By The Pounds e o Lado B de Foxtrot. Ou seja: Dancing With the Moonlit Knight, I Know What I Like (In Your Wardrobe), Firth of Fifth, More Fool Me e Supper’s Ready. Ao contrário do Satanic, e mesmo com o solo de guitarra com cara de lua cheia do Steve Hackett em Firth of Fifth, a minha fitinha do Genesis funcionava bem na tranquilidade do primeiro sol da manhã.

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Uma resposta em “selling england by the foxtrot

  1. ainda essa semana eu e a pâmella estávamos conversando sobre a ordem das faixas dos discos e a importância vital disso para que ele seja uma obra, já que outra ordem faria o disco ser completamente diferente. me lembrei disso com o texto.

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