nova vlnà: valerie & her week of wonders

A grande beleza de Valerie & Her Week of Wonders é colocar o espectador no mesmo limiar da infância que sua protagonista. É como se estivéssemos vendo algumas imagens pela última, e outras pela primeira vez. Poucos filmes, lembro agora de O Espírito da Colméia, de Victor Erice,  trabalham de forma tão intensa a curiosidade infantil como a obra-prima de Jaromil Jireš. Curiosidade de Valerie, um pouco criança, na noite do primeiro sangue, seus brincos roubados e as gotas de sangue que escorrem na pureza da margarida. Foi com a mesma idade da mãe. Um rosto assustador no meio da noite, um vampiro que parece o de Murnau. Após ter os brincos roubados, ela experimenta de tudo, sustos, beijos, danças, banhos e mais sangue. Um mundo novo que se abre em sua pequena odisséia pela sexualidade, reforçada pelo clima barroco-surrealista, as imagens puxadas para o baixo contraste, vemos tantas cores, mas elas não gritam, permanecem discretas como a curiosidade de Valerie, a falta de lógica de sua vida sexual, os padres que atormentam, buscam o seio singelo e depois lhe arrancam um sorriso que queima na fogueira, ou as ninfas que parecem aranhas abertas nos galhos secos das árvores. Não há situações estendidas, a menina vive de passeio pelos quartos brancos, pelos subsolos escuros, pelos bosques, pelas imagens lúdicas de Jireš, inspiradas nas palavras escritas em 1935 por Vítězslav Nezval. O universo feminino em todas as suas pulsações. Um sonho breve que encanta.

valerie & her week of wonders

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