arrasta-me para o inferno

drag me to the hell

Arrasta-me Para o Inferno, o novo filme de Sam Raimi, é um abecedário das fraquezas do cinema de horror contemporâneo. Se na clássica trilogia oitentista Evil Dead, Raimi conseguiu subverter vários clichês do gênero, em seu novo lançamento, ele parece perdido dentro do novo horror.

O universo fantástico nos filmes de Raimi sempre me pareceu um pretexto para maravilhosas e grotescas cenas de ação. Os três Evil Dead, por exemplo, estão longe de ser assustadores. São filmes pra divertir. E agora, na volta do cineasta ao gênero que o consagrou, temos novamente um legítimo filme de ação alimentado pelo imaginário do terror.

Não há nenhuma encheção de linguiça com o oculto, em poucos minutos vemos a protagonista sofrendo na pele uma maldição sem pé nem cabeça. E tomando porrada até não poder mais. Acontece de tudo, todos os clichês do gênero estão ali. E o filme não deslancha. Por quê?

Primeiro porque a ação, ao contrário de Evil Dead, é comandada pela câmera, pela montagem, e não pelos atores. A cena em que uma velha cigana briga com a protagonista dentro do carro poderia figurar, ao lado da célebre luta de Ash com sua mão em Evil Dead 2, entre as melhores do cinema de Raimi. No entanto, mal vemos a briga. É um festival de cortes e malabarismos visuais.

Tem-se a impressão que Raimi está muito mais sintonizado com o deslumbre tecnológico do cinema de ação atual, o que é perfeitamente compreensível dado o sucesso da sua trilogia do Homem-Aranha. Mas em filme de terror, isso não funciona bem. Na cena do carro, seria bem mais interessante se Raimi valorizasse o espaço pequeno e a tensão da asquerosa velha se aproximando. Até porque a personagem é sensacional. A imagem dela parada, batendo as unhas e tossindo é muito mais tenebrosa que a briga entre as duas.

O problema maior, no entanto, é que quando Raimi se propõe a fazer terror, embarca no que de pior foi feito nessa década: a ditadura do susto. E tudo resolvido no som. Há tempos que boa parte dos filmes de terror é comandada pelo som. Tudo muito previsível. Um momento de silêncio e pronto, o surround das salas de cinema estoura no ouvido. Depois do décimo sustinho, já não há graça alguma.

O que salva Arrasta-me Para o Inferno é exatamente o humor, principalmente nas sequências em que a protagonista vai ao funeral da cigana e no jantar com a família esnobe de seu namorado. Sam Raimi sabe como ninguém inserir sequências hilárias dentro do gênero. Se o filme fosse um legítimo terrir, teria mais sucesso.

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