nova vlnà: žert

zert (the joke)

Assim como Andorinhas por um Fio, o filme censurado de Jiří Menzel em 1969, A Piada (Žert), de Jaromil Jireš, finalizado e banido no mesmo ano, também traz à tona as agrúrias do período Stalinista. A diferença é que, enquanto o filme de Menzel situa o seu protesto no humor irônico, Jireš apresenta uma obra completamente melancólica.

A temática parecida não é mera coincidência. Essa vontade de falar sobre a tenebrosa fase Stalinista do comunismo no Leste Europeu é um reflexo do recente trauma de 1968, quando os tanques soviéticos invadiram a Tchecoslováquia para acabar com o “socialismo de face humana” de Alexander Dubček. Havia uma abertura política que inclusive possibilitou grande parte das produções da Czech New Wave, e que logo foi abortada pelos capangas de Leonid Brezhnev.

O roteiro de A Piada começou a ser escrito em 1966, uma parceria de Jireš com o escritor Milan Kundera – que pouco depois lançou o famoso livro de mesmo nome. Na história, há um homem, Ludvik, que resolve voltar à cidade natal para vingar-se de amigos que, quinze anos antes, o expulsaram da faculdade por causa de uma piada envolvendo o nome de Trotsky. Ludvik foi forçado a ficar três anos no exército, dois trabalhando nas minas e um na prisão.

As denúncias à violência comunista ganham força com a desnecessária morte de um dos personagens durante o período de trabalho nas minas. Há também um artista que acaba preso por realizar pinturas cubistas. A brutalidade que tomou conta dos primeiros anos de comunismo na Tchecoslováquia, mostrada nos flashbacks do protagonista, é refletida na falta de interesse, sonhos e utopias daquela geração quinze anos depois. Existe um sentimento festivo nas imagens do passado. O presente é amargo.

the joke (zert)A Piada é todo costurado em cima das memórias de Ludvik, lembrando até alguns filmes do cineasta francês Alain Resnais. Vemos fragmentos, lembranças incompletas e fantasmas do passado que dialogam com o momento atual do protagonista.  Há um parentesco bem comportado com Muriel (1963), de Resnais, na forma mais intrincada com que as memórias passeiam pela narrativa. São brilhantes as cenas em que o plano de Ludvik, no presente, dialoga com o plano de uma namorada, no passado. Campo e contracampo com quinze anos distância.

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