nova vlnà: o kral majales

Quando pensei em fazer o freakium & meio, minha idéia era justamente produzir algo em cima dos universos em que eu me debruçava. E meu universo atual é a Tchecoslováquia, principalmente as explosões vanguardistas das décadas de vinte e trinta e o novo cinema produzido nas décadas de sessenta e setenta. Portanto, durante esse mês, choverão textos sobre a arte e a cultura tchecoslovaca desse período. Como as obras do início do século XX não são tão acessíveis, darei prioridade ao novo cinema, ou melhor, Nova Vlnà, também conhecido como Czech New Wave.

Foi um momento muito fértil da cinematografia tchecoslovaca em que diversos diretores como Jiří Menzel, Miloš Forman, Jaromil Jireš, Věra Chytilová e Jan Němec produziram uma série notável de filmes singulares e inventivos. Filmes que traduziram muito da efervescência cultural ocorrida no país durante a década de sessenta, algo impensável tratando-se de uma nação controlada pelos olhos agudos da União Soviética.

Allen Ginsberg expulso da Tchecoslováquia Um dos grandes marcos dessa ebulição contracultural foi a nomeação, em 1965, do poeta beatnik Allen Ginsberg como Rei de Maio, ou Kral Majales, na belíssima língua tcheca. Era uma festa tradicional, proibida durante o Stalinismo nos anos 50. A alegria durou pouco. Ginsberg foi expulso rapidamente pelas autoridades do país e a festa, novamente banida. Mas foi emblemático. Tanto que ele dedicou o poema Kral Majales (I am the King of May) a esse episódio. Abaixo, um trecho da obra de Allen Ginsberg.

(…)
And I am the King of May, which is the power of sexual youth,
and I am the King of May, which is industry in eloquence and action in amour,
and I am the King of May, which is long hair of Adam and the Beard of my own body,
and I am the King of May, which is Kral Majales in the Czechoslovakian tongue,
and I am the King of May, which is old Human poesy, and 100,000 people chose my name,
and I am the King of May, and in a few minutes I will land at London Airport,
and I am the King of May, naturally, for I am of Slavic parentage and a Buddhist Jew
who worships the Sacred Heart of Christ the blue body of Krishna the straight back of ram
the beads of Chango the Nigerian singing Shiva Shiva in a manner which I have invented,
and the King of May is a middle European honour, mine in the XX century despite space ships and the Time Machine, because I heard the voice of Blake
(…)

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