a imagem do balão vermelho

A Viagem do Balão Vermelho

Em um primeiro momento, tem-se a impressão que Hou Hsiao-Hsien fez do seu A Viagem do Balão Vermelho uma obra sobre o cinema. Há a referência imediata ao balão vermelho do clássico filme de 1956 de Albert Lamorisse, além da estudante chinesa de cinema que – mesmo fazendo bico de babá – vive filmando tudo com sua pequena câmera digital.

Um olhar atento logo observará que o balão vermelho de Hou Hsiao-Hsien não tem absolutamente nada a ver com o de Lamorisse, cuja personalidade é muito mais provocadora e brincalhona. Aqui, o balão é um ser melancólico e abandonado.  Se há alguma relação, é entre o balão de Lamorisse e a câmera de Hsiao-Hsien, que parece flutuar curiosamente em busca de seus personagens. Entre os dois balões, só a cor e a cidade.

O fato do espectador também não ver um filme que a estudante produziu (a personagem de Juliette Binoche viu, “é tocante, tem um ar abstrato, lembrou a infância”…) reforça a idéia de que o cinema não está em pauta. Ela até produz imagens para um curta, mas não vemos aquilo realmente transformado em cinema. Vemos uma imagem bruta. Porque A Viagem do Balão Vermelho parece ser um filme essencialmente sobre a imagem.

É a imagem refletida nos vidros que tanto os personagens quanto o próprio filme parecem o tempo todo buscar, a imagem de um simples cartão postal que remete à infância, a imagem de um momento de carinho que uma máquina fotográfica pode registrar, as imagens em super 8 que ressuscitam os mortos, as imagens de ruas que ajudam a lembrar o caminho da casa, a imagem que a personagem de Binoche ajuda a criar com sua voz no espetáculo de marionetes. E é claro, a imagem de O Balão Vermelho de  Lamorisse que a jovem estudante de cinema tanto cultua.  

A Viagem do Balão Vermelho é uma viagem pela história da imagem, ali está o homem e sua necessidade eterna de produzir imagens, seja com o próprio reflexo no vidro, no show de marionentes chinês, no desenho, na pintura, no cinema, no super 8 familiar ou na câmera digital. Imagens que sempre precisam de olhos para ganhar vida.

Não é à toa que Hou Hsiao-Hsien termina seu filme num museu, lugar em que o olhar imagens é sagrado. Frente à nitidez de uma pintura, uma professora começa a questionar para um grupo de crianças o que aquela imagem parece ser. “O que vêem nesse quadro?”, “é feliz ou triste?”, “quem são aquelas pessoas?”, “e o balão, o que é?”… Em meio a perguntas e respostas, o filme abandona qualquer certeza e passa a seguir viagem com o balão vermelho pelos céus de Paris.

A Viagem do Balão Vermelho

 


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Um comentário sobre “a imagem do balão vermelho

  1. é bem isso. o intuito é fazer um grande portal balão voador pra guardar com carinho e enlevo as imagens as imagens as impressões de tudo q seja nós e nossa cidade bonita – o incrivel é o nome q pensei pro projeto esses dias,, algo em torno de “Porto nas Nuvens”. seria uma referencia a Era das Nuvens emq estamos entrando tecnologicamente, mas bem q pode ser um paralelo ao ato de balonar por aí. pq “Eles jatinho, Porto Alegre, balão”.

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